o braço de Jyck, apressado, antes que o outro
fizesse com que fossem ambos transformados em carne
picada.
- Onde estão as suas maneiras, Jyck? Nossa boa anfitriã disse
que espadas, não. Faça o que ela pede - forçara um sorriso
que devia ter parecido tão nauseado como o sentia. - Está
cometendo um triste erro, Senhora Stark. Não desempenhei
nenhum papel em nenhum ataque ao seu filho. Pela minha
honra...
- Honra Lannister - foi tudo o que ela disse. Ergueu as mãos
para que toda a sala as visse. - Seu punhal deixou estas
cicatrizes. A lâmina que ele enviou para abrir a garganta do
meu filho.
Tyrion sentira a fúria em volta de si, espessa e fumacenta,
alimentada pelos profundos golpes nas mãos da mulher Stark.
"Matem-no", sibilara do fundo da sala uma desmazelada
bêbada qualquer, e outras vozes começaram a repetir a
palavra mais depressa que ele julgaria possível. Todos eles
estranhos, amigáveis até um momento antes, e agora
gritavam pelo seu sangue como cães de caça perseguindo uma
presa.
Tyrion falara em voz alta, tentando mantê-la firme.
- Se a Senhora Stark acredita que tenho de responder por
algum crime, então a acompanharei e responderei por ele.
Era a única atitude possível. Tentar sair daquilo na base da
espada era um convite seguro para uma sepultura antecipada.
Uma boa dúzia de espadas tinha respondido ao apelo da
Stark por ajuda: os homens de Harrenhal, os três Bracken,
um par de fétidos mercenários que pareciam poder matá-lo
com a mesma facilidade com que cuspiriam no chão, e alguns
estúpidos camponeses que sem dúvida não tinham a mínima
ideia do que estavam fazendo. Contra aquilo, que tinha
Tyrion? Um punhal no cinto e dois homens. Jyck brandia
uma espada suficientemente bem, mas Morrec pouco contava,
era em parte cavalariço, em parte cozinheiro, em parte criado
de quarto e em nenhuma parte soldado. Quanto a Yoren,
fossem quais fossem seus sentimentos, os irmãos negros
tinham jurado não participar nas querelas do reino. Yoren
nada faria.
E, de fato, o irmão negro afastara-se em silêncio quando o
idoso cavaleiro ao lado de Catelyn Stark dissera:
- Tornem-lhes as armas - e o mercenário Bronn avançara para
arrancar a espada dos dedos de Jyck e aliviar todos dos seus
punhais. - Muito bem - dissera o velho, enquanto a tensão na
sala comum refluía de modo palpável -, excelente. - Tyrion
reconhecera então aquela voz rude; o mestre de armas de
Winterfell, de barbas raspadas.
Gotas de saliva tingidas de escarlate voaram da boca da
estalajadeira gorda quando ela suplicou a Catelyn Stark:
- Não o mate aqui!
- Não o mate em lugar algum - exortara Tyrion.
- Leve-o para qualquer outro lugar, sangue aqui, não,
senhora, não quero confusões de fidalgos aqui.
- Vamos levá-lo de volta a Winterfell - Cat dissera, e Tyrion
pensou: Bem, talvez... Àquela altura, já tivera um momento
para passar os olhos pela sala e obter uma ideia melhor da
situação. E não tinha ficado totalmente descontente com o
que vira. Ah, a Stark tinha sido inteligente, sem sombra de
dúvida. Forçá-los a fazer uma afirmação pública dos votos
jurados ao pai pelos senhores que serviam e então lhes pedir
socorro e, sendo ela uma mulher, sim, essa parte era um
docinho. Mas o sucesso não tinha sido tão completo como
poderia desejar. Havia perto de cinquenta homens na sala
comum, segundo sua contagem aproximada. O apelo de
Catelyn Stark tinha reunido uma simples dúzia; os outros
pareciam confusos, ou assustados, ou carrancudos. Só dois dos
Frey tinham se agitado, notara Tyrion, e sentado assim que
viram que o capitão não se movia. Poderia ter sorrido, se se
atrevesse a tanto.
- Seja então Winterfell - ele disse então, em vez de sorrir. Era
uma longa viagem, como poria atestar perfeitamente, tendo
acabado de percorrer o caminho inverso. Muitas coisas
podiam acontecer ao longo do caminho. - Meu pai vai querer
saber o que me aconteceu - acrescentou, olhando nos olhos o
homem de armas que se oferecera para lhe ceder o quarto, -
Pagará uma boa recompensa a qualquer homem que lhe leve
notícias do que aconteceu hoje aqui - Lorde Tywin não faria
nada disso, claro, mas Tyrion o compensaria se ganhasse a
liberdade.
Sor Rodrik olhara de relance para sua senhora, um olhar
preocupado, como devia ser.
- Seus homens vêm com ele - anunciou o velho cavaleiro. - E
agradeceremos a todos aqui se ficarem em silêncio quanto ao
que viram aqui.
Tyrion fez tudo o que pôde para não rir. Silêncio? Velho
tonto. A menos que capturasse a estalagem inteira, a notícia
começaria a se espalhar no instante em que dali saíssem. O
cavaleiro livre com a moeda de ouro no bolso voaria como
uma seta para Rochedo Casterly. Se não fosse ele, então
qualquer outro o faria. Yoren levaria a história para o Sul.
Aquele estúpido cantor poderia fazer daquilo um lai. Os Frey
fariam um relatório ao seu senhor, e só os deuses sabiam o que
este faria. Lorde Walder Frey podia ser vassalo de Correrrio,
mas era um homem cauteloso que vivera muito tempo por
assegurar-se de estar sempre ao lado dos vencedores. No